24/06/2019 às 19h40min - Atualizada em 24/06/2019 às 19h40min

E a sucessão familiar no Agronegócio como vai?

Cynthia Moleta Cominesi

@agrosmart
Durante esta semana, participei de um treinamento sobre planejamento estratégico no agronegócio e uma das questões mais importantes levantados para o sucesso do setor está no planejamento estratégico e aliado a um plano de sucessão familiar.
 
E aí, fazendo algumas pesquisas sobre o tema descobri uma matéria no Jornal dia de Campo (www.diadecampo.com.br) que, segundo dados do IBGE,  a cada 100 empresas familiares, 30 chegam à segunda geração e apenas 5 alcançam a terceira geração. Este dado me chamou muita atenção por refletir exatamente a dinâmica da minha própria família.

Sou paranaense, natural de Ivaí, uma cidade com mais ou menos 15.000 habitantes. Minha família, de descendência italiana tinha como figura central o meu avô, Antônio Cominesi, que chegou na região depois de deixar para trás o trabalho na construção da Estrada de Ferro que liga Curitiba a Paranaguá.

Lá em Ivaí, trabalhando na agricultura e com criação de gado e porco, conseguiu adquirir uma grande quantidade de terras. O meu avô teve 6 filhos sendo 3 homens e 3 mulheres. O mais velho foi enviado para o colégio interno aos 5 anos de idade e só voltou formado médico. Grande orgulho da família.

Quando meu avô faleceu, simplesmente cada um dos filhos ficou com um pedaço de terra e foi seguir a vida, mas com uma área de produção menor, alguns capitalizados para investir no pedaço de terra que herdou, outros não e, as filhas mulheres aos poucos, acabaram vendendo suas terras. Resumindo, todo o esforço que meu avô fez para construir um grande patrimônio foi diluído simplesmente por falta de um PLANEJAEMNTO ESTRATÉGICO a longo prazo e um PLANO DE SUCESSÃO FAMILIAR. 

Claro que não culpo o meu pai ou tios que não pensaram nisso na época, pois esta era a prática comum, tanto é que a própria Organização das Cooperativas Brasileiras – OCB,  aponta que até hoje, aproximadamente 40% dos produtores rurais têm suas famílias na atividade agropecuária há mais de 30 anos e  34%  dos filhos de produtores têm alguma participação nas atividades de seus pais. Assim, fica claro que a sucessão familiar não é uma coisa recente no agronegócio. Agora, quando falamos em um PLANO de sucessão familiar e um Planejamento Estratégico de longo prazo, estes sim, são palavras recentes e aparecem como grandes gargalos para o desenvolvimento do setor.

Quem me dera ter a oportunidade de voltar no tempo e poder falar pra minha própria família sobre a importância da transferência de patrimônio para as próximas gerações, sobre o quanto é necessário planejamento e preparação, pois caso não seja feito de forma adequada, o negócio corre um grande risco de sofrer perdas econômicas e inclusive acabar.

Nem sempre os herdeiros têm afinidade com a área ou até mesmo conhecimentos técnicos das operações. Assim, é fundamental que o proprietário, ou o fundador do negócio conheça os riscos da sucessão, a grande probabilidade do choque cultural  e saiba que em alguns casos, a transferência do comando da operação para pessoas de fora da família, mas que possuem experiência e conhecimento na área da gestão, pode ser um bom caminho até que a capacitação dos herdeiros seja concluída ou que apareça aquele que apresentará afinidade e aptidão para a gestão do negócio como um todo.

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