01/04/2020 às 21h07min - Atualizada em 01/04/2020 às 21h07min

Repensando a Vida Pós COVID-19

Prof. Rogério Bastos Quirino. Unemat/Sinop
A crise do novo Corona vírus escancara as entranhas dos pontos de ruptura geopolíticos, econômicos,
ideológicos e culturais de nosso tempo. Esse esgarçamento pode estar sinalizando um rompimento brutal
de época e estilo de vida em sociedade. A era da hiper globalização em voga coloca em xeque a associação
dos principais blocos econômicos, forçando-os a repensar sob quais aspectos vale a pena compartilhar ou
isolar-se. As oscilações de preços do petróleo podem estar anunciando o fim das economias industriais
fósseis e influenciando o desenvolvimento de fontes de energia alternativas .O sistema financeiro global
ruma para um novo regime. O bastão do fiador do sistema está indo dos Estados Unidos para a China ou
estamos enfrentando a inovação do mundo multipolar. Quiçá rumando ao domínio político ideológico
comunista, o que não é nada bom. A crise global aumentou a consciência de como a hiper globalização nos
tornou vulneráveis. Em um mundo em rede global, as pandemias estão se espalhando pelas fronteiras em
alta velocidade. As cadeias de suprimentos globais são facilmente cortadas, por força das circunstâncias,
com sérias implicações. Os mercados financeiros são vulneráveis a crises. Os populistas querem fechar as
fronteiras e se isolar do mundo. Mas essa é a resposta errada para os desafios globais de epidemias,
guerras, fuga, comércio e mudanças climáticas. Em vez disso, nosso objetivo deve ser abordar as causas
dessas crises. Para fazer isso, a economia global deve ser posta em uma base mais resiliente. As
instituições deverão reforçar a incumbência de repensar os mais variados aspectos da educação e
sociedade contemporâneas que construímos. A economia e a política focadas na cegueira para o outro, na
perturbação da informação, na extravagância do discurso público e no colapso da informação, nos afastam
da real filosofia de vida em sociedade que deveríamos desenvolver e adotar. Como símbolo biológico, mais
natural impossível, o covid-19 não seria o acometimento global de que necessitávamos? É como se diante
de tantos recursos e tecnologias avançados, ele nos demonstrasse que teríamos, ao final, de nos unir e
nos valer somente do compartilhamento da miséria que pode nos assolar. Então, que dinâmica de mundo
empreender ao enfrentamento rápido, eficaz e não dizimadora da humanidade, frente a tais desastres? Que
tal uma Dinâmica de economia, ciência, tecnologia e sociedade inovadoras mais adequada à nossa
humanidade frágil e mortal? Não deveríamos regredir a leitura dos bons livros físicos, à boa música, à
filosofia existencial, ao espírito, às relações não virtuais, superficiais e voláteis, ao conteúdo de fato e
essência das coisas e das pessoas? Em face de um vírus que não escolhe raças, cores, fortunas e classes,
procurar – como muitos já estão fazendo – a culpabilidade de fonte geradora e alastradora da pandemia,
quando a única real responsável, de regimes mais totalitários a regimes neoliberais, é a pandemia do
descontrole de desigualdades de mercado, tecnologia, conhecimento, ciência, desenvolvimento e
oportunidades de produção e renda. Em tempos de crise, governança competente, emocionante e
orientadora é imprescindível. Não seria hora de os sistemas financeiros serem recolocados sob o crivo do
controle democrático? A crise deixou claro aos cidadãos que as coisas não podem continuar como antes. O
desejo de uma reorganização fundamental de nossos negócios e de vivermos juntos nunca foi tão
grande. Ao mesmo tempo, os perigos existenciais devem ser evitados sem restringir desproporcionalmente
a democracia e as liberdades. Que força política pode negociar os compromissos sociais necessários a
essas mudanças?
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